No passado fim de semana fui ver, pela primeira vez, aquilo que a autarquia de Setúbal chama de “Parque Urbano de Albarquel”..
O parque já abriu ao público há alguns meses, não sei exactamente à quanto tempo, mas a última vez que lá fui, ainda as obras não tinham começado..
De certa forma entristeceu-me, pela história que envolve aquele sítio.. O que é hoje um parque urbano, era antes o Parque de Campismo Municipal “A Toca do Pai Lopes”..
Fui campista lá, durante a minha adolescência, e conheci pessoas um pouco de todo o lado, algumas que praticamente lá cresceram desde tenra idade.. Foi sem dúvida, uma das melhores fases da minha vida..
Sentimentalismos à parte, vou contar uma história que remonta a largos anos atrás..
Desde sempre, ou desde o mandato socialista do Dr. Mata Cáceres, que havia uma ameaça recorrente, de poderem encerrar o parque de campismo.. Todos os anos ouvia-se o mesmo boato, e todos os anos continuava tudo na mesma..
Ouvi falar de todos os projectos e mais alguns; desde a marina com passeio junto à costa e áreas de lazer, até um bairro residencial para a classe alta, ou a venda a privados como o Grupo Sonae do tio Belmiro..
Passados anos, o Partido Comunista ganhou a câmara, e o edil Dr. Carlos Sousa, mostrou compreensão e disponibilidade para manter tudo como sempre esteve, e inclusive melhorar as infra-estruturas, a favor dos utentes.. Ou pelo menos, era o que ele dizia..
De repente, com o impulso que foi dado através do Programa Polis, o autarca, aparentemente, mudou de opinião..
Os campistas e utentes não desarmaram e criaram uma comissão.. O caso foi para tribunal, pois claro..
Após recurso, e logo nos primeiros dias após as férias judiciais, chegou a conclusão desfavorável para os campistas..
A justiça foi célere neste caso, tal era o ódio de estimação do autarca, que fez pressão onde e como pôde..
Os campistas seguiram o seu caminho e o espírito de união que antes havia, desintegrou-se completamente..
Daí para cá, aconteceu muita coisa.. O projecto não arrancava e as obras estagnaram, a área estava enterdita ao público, e entretanto haviam receios de que aquilo ficasse entregue ao abandono, à droga e à prostituição..
Ao invés, as únicas pessoas que passaram ter acesso ao terreno, eram os “motards”, que lá faziam as suas concentrações e festas, patrocionados pelo Dr. Carlos Sousa, adepto confesso de motas e afins..
Moral da história: O projecto lá avançou, a custo.. O resultado é que não sei se terá justificado a polémica que houve em torno disto.. De certa forma, devolveu-se um bocado de Setúbal aos setubalenses, o que não compensa o que nos foi tirado quando o Tio Belmiro meteu as mãos em Tróia, e varreu completamente a fachada de praia com vista para a cidade.. O buraco de areia que lá ficou é quase igual ao outro buraco que está no coração da serra da Arrábida, e ao buraco no peito do genuíno setubalense, que vê o património desaparecer aos poucos..
E outros buracos, os financeiros, também devem existir no meio disto tudo, de certeza..
Quanto ao Parque Urbano da Albarquel, espero que façam daquilo algo que valha mesmo a pena, e que seja uma mais valia para a cidade.. Sinceramente, acho que ainda há um caminho muito longo a percorrer.. Para mim, o que foi, também já não volta a ser.. Paciência…