POUCA SORTE
Se existe alguém com pouca sorte, esse alguém é o Carlos Daniel.
Com dois anos foi de tal forma espancado pelo e padrasto (e no mínimo com a anuência da mãe) que ficou tetraplégico, cego e surdo, mas quando entrou no hospital tinha ainda lesões no abdómen, lesões graves na cabeça e um braço partido.
Foi hoje lida a sentença e o padrasto foi condenado a 7 anos, enquanto a mãe, foi condenada a apenas 1, mas saiu em liberdade por já ter cumprido a pena aquando da sua prisão preventiva.
Recordo que sete anos foi também a pena de Vale e Azevedo por burla.
No fundo a justiça portuguesa dá o mesmo valor aos dois delitos.
À saída do tribunal, a advogada de defesa da mãe, mostrou-se descontente achando que a pena foi desproporcionada, e que a prova do crime deve ser feita em sede de julgamento, e que na sua opinião nada foi provado.
Na sua opinião, a mãe desconhecia os maus tratos continuados a que a criança foi sujeita, como se alguém acreditasse nisso.
Eu sou Pai, mas acima de tudo sou Humano, provido se sentimentos.
O que estas duas bestas fizeram a uma criança de 2 anos, e no estado em que a deixaram, é monstruoso, tal como a pena que lhes foi aplicada é altamente branda.
Sou e sempre fui contra a Pena de Morte, mas que às vezes era a única pena possível, disso não tenho dúvidas.
Se existe alguém com pouca sorte, esse alguém é o Carlos Daniel.
Teve a pouca sorte de ter nascido como a mãe que tem, teve a pouca sorte de ter tido um padrasto como tem mas acima de tudo teve a pouca sorte de ter nascido num país como Portugal, onde a justiça não passa de uma tragédia, de má qualidade, com a qual nos vamos habituando a viver.
Por este e por os outros Carlos Danieis deste país, exijo mais respeito.
