
Num das pastelarias perto do Hospital dos Capuchos ouvi uma conversa que deixou o meu lado feminino totalmente arrepiado. Uma orgulhosa mãe tinha recentemente entregue o seu filho, nos laços do matrimónio, à vil e terrivel noiva. Indignada, numa voz dolby-surround, contava que a sua agora nora recusava-se a levantar às 5 da manhã para passar as camisas do marido que, coitadinho, tinha de ir trabalhar:
- "Ela de vez enquando ainda cresce pra ele, mas ele já a endireita..." acrescentando ainda que o seu querido filho tinha deixado bem claro a diferença entre a sua noiva e a sua mãe dizendo "Tu és tu, a minha mãe é a minha mãe!", porque, ao que parece, a mãe sempre acordara cedo para tratar das camisas do menino.
Para refrescar a conversa, um homem farto no bigode sentado nesta mesa de conversa, pede uma "panaché" (uma referência nacional quando se trata de bebida de macho) e lança esta bomba:
- "Eu lá em casa também não faço nada. Sou um gestor... eu trago para casa e a minha mulher é que tem de tratar do resto!".
Em menos de nada fiquei a saber que homem que é homem não passa camisa, bate na mulher e em casa é patrão.
Com mãezinhas destas e filhos assim bem educados está mais do que visto que o o bicho macho nunca há-de entrar em extinção. A animal tá cá para durar.
Para aqueles que ficaram espantados, a única coisa que tenho a acrescentar é que sim, eu tenho um lado feminino!