Terá sido uma brincadeira de mau gosto. Já não era a primeira vez que os jovens suspeitos se metiam com a vítima. O homem tinha cerca de 40 anos, vivia em Borralheira de Orjais, e era considerado pelas autoridades policiais como "uma pessoa indefesa".
À entrada para o tribunal foram vaiados.
in SIC Notícias


Este é daquele tipo de notícias que me faz pensar, não só na vida que se perdeu de uma forma estúpida, mas também nas outras vidas que, todos os dias e da mesma forma, se vão desperdiçando. Ao ler, e reler, esta notícia vejo pequenos retratos deste nosso Portugal, como se as vidas de todos os Portugueses fossem um bolo, ao qual retiramos uma fatia e claramente conseguimos ver os seus ingredientes, as várias camadas e o recheio. Vemos os grupos de jovens de baixa escolaridade e poucas expectativas no futuro, passam o seu tempo no café e procuram nas ruas algo que lhes traga alguma emoção, implicam com o elemento mais fraco, quer seja um bêbado, um homossexual, um mendigo ou uma rapariga que um dia teve o azar de estar sozinha; vemos os homens de 40 anos, desempregados e sem hipóteses de arranjar emprego, uns dizem que é da idade outros culpam a crise, refugia-se na bebida para se lembrar de como era a vida que tinha planeado para a sua família; vemos as localidades onde as pessoas já quase não se falam, não se importam e não agem; vemos todas as aldeias que continuam isoladas, esquecidas e cada vez mais longe de Lisboa e das suas mega-obras; vemos polícias inoperantes, sem meios e com tendências suicidas a insistirem em argumentos fracos; vemos reformados sozinhos e sem nenhum papel activo, que ao toque do sino reúnem-se às portas dos tribunais e, logo alí, sem julgamento, gritam a sentença.
Os jovens já não brincam, os homens já não trabalham, a sociedade não se importa e a polícia já não nos garante segurança. Belos tempos, estes do futuro...

Para mim esta notícia é apenas mais uma que refelecte a tristeza que se vai, silenciosamente, instalando neste País.


Este post tornou-se mais sério do que esperava, mas, pelos vistos, a vida é assim...